Estabelecimentos particulares podem ser mais caros do que as creches sociais mas ganham no horário alargado e na oferta curricular e extracurricular mais diversificada. Vantagens que fazem das creches privadas uma boa alternativa quando não há vagas na rede social.

Muitas creches sociais não estão a conseguir dar reposta às inúmeras candidaturas para inscrição das crianças no próximo ano letivo. As listas de espera são cada vez maiores, sobretudo nas grandes cidades como Lisboa, apesar da queda da taxa de natalidade. Um fenómeno que resulta da crise. Os pais que antes tinham os filhos em creches privadas estão a optar pelas instituições sociais, onde a mensalidade é mais baixa, já que é calculada em função dos rendimentos do agregado familiar.

“Mas o barato pode sair caro”, alerta a Associação de Creches e Pequenos Estabelecimentos de Ensino Particular (ACPEEP). Numa instituição privada, a mensalidade ronda os 300€ por criança mas dá direito a um conjunto de benefícios que os pais não encontram nas creches sociais, explica a associação. E exemplifica: “as creches particulares praticam horários mais alargados evitando assim que os pais tenham de pagar mais para colocar os filhos noutras instituições em período pós-laboral”. Para além disso, os privados estão abertos quase todo o ano, havendo mesmo alguns estabelecimentos que funcionam durante 12 meses.

É possível negociar descontos em casos de carência económica. E a mensalidade pode ser liquidada com os vales sociais de educação que algumas empresas oferecem aos colaboradores como forma de pagamento de parte do salário.

Nas creches privadas, é possível inscrever o educando em atividades tão diversificadas como Música, Inglês, Informática, Natação, Judo, Yoga, Culinária ou Horta Pedagógica, todas orientadas por técnicos especializados.

A ACPEEP sublinha também a existência de técnicos de intervenção precoce como terapeutas da fala, ocupacionais, psicólogos e psicomotricistas. “Há ainda um forte envolvimento de toda a comunidade educativa na avaliação das competências pré-académicas dos alunos, determinando áreas importantes do saber e estratégias facilitadoras de aprendizagem”, destaca a associação.

Outro dos pontos diferenciadores em relação às respostas sociais é “a interação com a família, através do desenvolvimento de atividades dirigidas a pais e avós”.

“A transparência na gestão das listas de espera, o atendimento personalizado e a realização de reuniões periódicas com educadores e professores das atividades curriculares e extracurriculares” são outras das vantagens enunciadas pela ACPEEP em relação às creches sociais.

Além disso, na maioria das creches privadas, actualmente, as listas de espera são muito reduzidas ou mesmo inexistentes. Há muitas vagas e, lamentavelmente, cada vez menos crianças com acesso às mesmas, devido às crescentes dificuldades económicas das famílias que não recebem nenhuma comparticipação financeira da Segurança Social se quiserem optar pela rede privada.

“É pena que a Segurança Social não queira  aproveitar o parque existente na rede privada para ajudar as crianças que não têm vaga na rede solidária”, diz um porta-voz da ACPEEP. E acrescenta que a Câmara de Cascais avançou com um projecto piloto na criação de Bolsas Sociais para ajudar as famílias mais carenciadas a colocarem os seus filhos nas creches privadas, quando não há resposta na rede solidária. As ajudas financeiras variam em função da capacidade financeira de cada família e, assim, todas as crianças têm acesso a respostas sociais adequadas e com qualidade, onde a falta de dinheiro não constitui uma barreira à educação e à sociabilização das crianças.

“Este projecto já tem 3 anos e está a ter muito sucesso em Cascais”, disse Marta Sobral, a Presidente da ACPEEP. “É um bom exemplo a seguir por mais Câmaras e pela própria Segurança Social. As creches privadas estão prontas a colaborar e até a reduzir um pouco mais as suas mensalidades, assim haja vontade política para avançar.”

 

pdfPRESS RELEASE - Creches privadas compensam falta de vagas na rede social