Talvez não. Nem é coisa que tenha de ocupar-lhe o pensamento, na verdade.
Já bastam o trabalho, a casa, as despesas, as crianças…

Já basta ter de pensar, por exemplo, como vai arranjar vaga na IPSS perto de casa para o bebé que aí vem… ou como vai conseguir um lugar na escola pública para a mais velha que, entretanto, já fez 5 anos! 

É assim, não é? 
Pois bem, mas faz ideia de quanto custa construir uma creche? 

1 milhão e 200 mil euros. Fixe bem este valor. 

Mas esta história começa com a proposta do Governo de alargamento da rede pública de creches. 

 

Construir do zero ou aproveitar os recursos existentes

Com o seu dinheiro, o Governo quer construir novas creches e infantários quando poderia aproveitar as vagas da rede privada.

Mas como é que isto se fazia? 

Fácil. Bastava que se estendesse aos estabelecimentos privados os acordos de cooperação em vigor com as creches do setor social (IPSS, Misericórdias, Casas do Povo). Falámos disto aqui

Assim, todas as crianças podiam ser apoiadas independentemente do estabelecimento que frequentam. 

As creches passariam a ser gratuitas para todas as crianças ou, pelo menos, haveria apoios financeiros em função dos rendimentos das famílias. 

 

De todas as famílias!

Construir de raiz um equipamento custa muito dinheiro e não é coisa que se faça com rapidez. 
A ideia parece-lhe assim tão descabida? Não, pois não? 

1 milhão e 200 mil euros.

Este é o valor necessário para construir uma creche com capacidade para 60 crianças, cumprindo com todas as normas de licenciamento.
Fora os custos óbvios com manutenção e recursos humanos.

Se em vez disto o Governo aproveitasse as vagas disponíveis nas creches e jardins de infância da rede privada, a poupança seria grande e o problema resolvia-se mais depressa. 

Além disso, seria possível salvar também muitos postos de trabalho que estão, neste momento, em risco. 

 

Mas ainda há bons exemplos

Foi o que fez a Câmara de Cascais.

O projeto “Bolsas Sociais” começou em 2010 com a atribuição de comparticipações / bolsas sociais a famílias com baixos rendimentos. 

As crianças abrangidas tiveram a oportunidade de frequentar creches licenciadas da rede privada.
Com 50 mil euros, a autarquia de Cascais apoiou cerca de 60 crianças num ano.
O projeto teve tanto sucesso que foi, entretanto, alargado aos jardins de infância. 

Sintra e Leiria seguiram o mesmo caminho. 

Se falarmos em valores globais, o Governo precisaria de cerca de 250 mil euros por ano para garantir a frequência gratuita dessas mesmas 60 crianças numa creche privada. 

Hoje, ao abrigo dos acordos de cooperação, o Governo gasta cerca de 370 mil euros por ano para ajudar 60 crianças a frequentar uma creche na rede social. 

Dá que pensar, certo? 

Faz sentido gastar dinheiro em novos equipamentos e novas contratações quando há vagas disponíveis no setor privado e quando o valor em causa seria até mais baixo do que sai hoje em dia dos cofres do Estado? 

Numa altura em que se discute o Orçamento do Estado para o próximo ano, é ainda mais importante que estes valores sejam do conhecimento público e que se perceba que é possível fazer melhor com menos dinheiro. 

Ajude-nos a fazer chegar esta mensagem a quem importa. 

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Ganhamos todos. Sobretudo as nossas crianças!